Já em 1996, através do Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, intitulado “Educação, um tesouro a descobrir”, organizado por Jacques Delors (ao qual, por razões de simplificação, me refiro a partir daqui como “Relatório Delors”) deixou-se bem expressa a importância da educação ao longo da vida:
“Encaramos o próximo século como um tempo em que, por toda a parte, indivíduos e poderes públicos considerarão a busca do conhecimento, não apenas como meio para alcançar um fim, mas como fim em si mesmo. Todos vão ser encorajados a aproveitar as ocasiões de aprender que se lhes oferecerem ao longo da vida e terão possibilidade de o fazer.”
Imagem obtida em https://www.pngegg.com/
Veja-se, a este propósito, uma vertente com importância crescente no Ensino e que se pode relacionar com a educação ao longo da vida – a formação profissional. Ilustraria essa importância crescente com a última alteração ao Código do Trabalho, que veio aumentar a formação anual mínima que os trabalhadores do setor privado devem ter e que deve ser, obrigatoriamente, promovida pelas suas empresas (se compararmos a versão inicial do Código do Trabalho, de 2003, com a versão atual, esta duração anual foi aumentada de 20h para 40h). Ligando a posição assumida no “Relatório Delors” a esta ideia da obrigação das empresas, será relevante observar que esta matéria é entendida como direito do trabalhador.
A tal importância crescente da formação profissional trará um acréscimo de exigência, possivelmente exponencial, ao qual indivíduos, empresas e estados não terão capacidade para responder, se recorrerem apenas a recursos humanos. Pode-se e deve-se assumir que os meios tecnológicos hoje existentes são um recurso fundamental para responder a este problema. No entanto, estes são “cegos”, requerendo sempre orientação e instruções humanas.
Ligando estes problemas a outra matéria já abordada neste blogue, à Inteligência Artificial na Educação, podemos assumir que há espaço para o desenvolvimento de software que responda a esta necessidade, trazendo outros equilíbrios e simplificando procedimentos.
Aborde-se uma outra vertente da Educação ao longo da vida: as necessidades sociais, culturais, profissionais, de atualização de conhecimentos, etc., intrínsecas a cada indivíduo. É impossível que as respostas educativas, apenas pelas vias e tecnologias de que hoje dispomos, sejam adequadas e consigam responder a cada necessidade individual. É aqui que entra a inteligência artificial: software desenhado para apreender necessidades de cada momento, sugerir os programas culturais adequados para aquele fim de semana, adequar regimes alimentares e programas de exercício físico, sugerir leituras, apresentar novidades legislativas, expor desenvolvimentos científicos, procurar novas tecnologias de que uma determinada empresa pode precisar – as possibilidades e as necessidades são infinitas.
