No caminho da análise sobre o ensino digital e a distância, é preciso colocar uma vertente que foi conquistando o seu espaço tecnológico, sem que nos tivéssemos apercebido e nos apercebamos da real dimensão desse espaço nem da totalidade das suas implicações: a inteligência artificial.
Kasparov vs Deep Blue - Foto de Peter Morgan/Reuters, obtida via theconversation.com/ (*)
Haverá, aqui, várias vertentes de debate, todas interessantes e importantes. Colocaria três: ética, autonomia dos alunos e construção de respostas educativas adequadas.
Confesso que a dimensão ética é aquela que maiores preocupações me suscita, perante uma sociedade onde ainda impera o “salve-se quem puder” e a “lei do mais forte”. Sem assumir integralmente a Educação para Todos, a Escola Democrática, a Inclusão e sem excluir aqueles dois princípios, que parecem quase transversais a todos os estados, países e nações, os problemas surgirão, de forma dramática. É preciso avançar, sem esquecer o que é essencial: o Homem, os Indivíduos e a Humanidade, dialeticamente relacionados de forma saudável e sustentável.
A exigir que se avance nesta matéria em Educação está o próprio desenvolvimento tecnológico. A Inteligência Artificial já está aí, para ficar e crescer, exponencialmente. Por isso, teremos de aproveitar o que já temos de autonomia dos alunos, para lhes desenvolver as competências nesta área. Num exercício de adivinhação, e olhando para a rapidez com que foram implementados projetos de robótica nas escolas, não será descabida a hipótese de, daqui a 10 anos (ou menos), haver projetos direcionados para a inteligência artificial no ensino secundário.
Parte significativa do trabalho humano outrora intelectual é hoje, cada vez mais, feito por máquinas. É, assim, uma questão de décadas (ou até anos) para que a Educação sinta os seus efeitos de forma massificada. É possível e há programas educativos que já o fazem, ter software que utilize mecanismos de inteligência artificial ao nível da recolha e análise de dados em tempo real, usando-a para definir as estratégias e respostas que serão mais adequadas a cada aluno. Será que podemos confiar “cegamente” nos resultados que se obtém? Pelo menos para já, não. Será preciso um acompanhamento permanente humano, para verificar o que foi feito e corrigir o que precisar de ser corrigido.
Mas devemos ter a noção de que, quer gostemos, quer não, o digital veio para ficar e não deixará nada como dantes. A Educação não será exceção. A Inteligência Artificial será parte importante da próxima (ou já desta!) revolução tecnológica. Não é exagerado prever que surgirá, em força, ainda nesta metade do Século XXI. Essas são realidades com as quais iremos lidar, enquanto Humanidade. Inevitavelmente!
(*) Partida final entre Kasparov e Deep Blue, maio de 1997. O campeão de xadrez russo perdeu no conjunto de 6 partidas (vitória, derrota, empate, empate, empate e derrota).