terça-feira, 10 de novembro de 2020

A Educação do Século XXI será digital?

A resposta não é simples e requer distanciamento. Distanciamento das ideias pré-concebidas e dos receios, por um lado, e dos voluntarismos e simplificações, por outro.

A experiência deste ano de 2020 demonstra que existe potencial e ao mesmo tempo perigo. O Ensino a Distância mostrou, de uma forma que nunca víramos, o fosso social que temos na literacia digital, no nível socioeconómico dos alunos e no empenho de cada um na sua própria aprendizagem. Demonstrou bem porque a Escola que temos não é, nem ainda se aproxima, da Escola que queremos - Democrática e Inclusiva, para Todos!

ZXSpectrum, uma revolução tecnológica de 1980. Imagem obtida em https://pt.wikipedia.org

 

Ter a certeza de que não existe espaço para incorporar o ensino digital será, quase certamente, "perder esse comboio" - com tudo o que poderá implicar, do ponto de vista do desenvolvimento do país. Mas ter a certeza de que existe esse espaço e que temos de avançar, sem olhar à realidade e aos obstáculos que temos, será deixar para trás milhares de alunos que, simplesmente, neste momento, não se adequam em nada a essa realidade educativa (na acumulação do número de alunos ao longo dos anos, serão milhões!).

A incorporação do digital, no ensino, neste momento, é, sobretudo, complementar: pode preencher o espaço que o presencial não pode, totalmente, preencher. A validação e verificação das aprendizagens deve ser feita pelos docentes, preferencialmente em sala de aula.

Convenhamos que, com o aumento exponencial de informação e recursos de todo o tipo na internet, o risco de aprendizagens incorretas, social e individualmente indesejáveis, de perda de tempo para convívio por parte das crianças e adolescentes, entre outros, é demasiado elevado. A lógica da Educação Onlife, construída na simbiose entre o digital e o analógico, no princípio de que os dois já não se distinguem, será um ponto importante a desenvolver, na certeza, contudo, de que o Ser Humano é, intrinsecamente, Social, pelo que precisa de um contacto fisicamente próximo que a Distância do digital, simplesmente, não preenche totalmente. A Educação não pode deixar de ter presente este problema. Veja-se, comparativamente, o problema das famílias afastadas por várias razões e que comunicam por telemóvel ou computador: essa comunicação permite atenuar a saudade, mas essa só é resolvida presencialmente! Há, obrigatoriamente, espaço para os afetos na Escola. No dia em que isso deixar de acontecer, deixará de ser escola!

Incorporar o Digital na Aula Presencial? Certamente. O que se tem feito só demonstra que é positivo e tem espaço para crescer. Já o contrário, separar Aula Presencial e Ensino Digital, dificilmente será concretizável, de forma generalizada, no estádio de desenvolvimento em que estamos.

Suponho que, por estes motivos, a resposta mais cautelosa será, para já, a melhor: devemos avançar, sem termos medo de avançar ou de recuar!

A Avaliação é uma grande e bela aula de Aikido…

  O perigo reside na mecanização do gesto em benefício da tecnicidade e da eficácia; a perda da alma do movimento e a ausência de reflexão ...